domingo, 15 de dezembro de 2013

Comentários sobre o livro "o projeto Rosie" (do que li até agora)

Até a pagina 77 percebi que: O livro é legal, mas o ruim é que ele terá um final previsível. Eu sinto. Será que é por que ele acabou de conhecer uma Rosie que é totalmente o contrário do que ele planejava, e o tipo de garota que responderia errado o seu questionário; e que por acaso o nome do livro é "o projeto rRosie"? Instigante. Agora já sei até a moral: não criemos uma pessoa padrão com características especificadas porque o amor não leva em conta esse tipo de exigência, e a pessoa que você encontrar pode não ser o que você esperava e blá blá blá. Deu até vontade de parar de ler o livro, mas vou continuar por não ter nada pra ler e por querer saber se a moral que criei está certa.



quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Minha volta com 15 anos (ui!)

Se passaram quantos anos desde que eu postei meu último texto de verdade? Bem, não importa. O que importa é que ESTOU DE VOLTA! Estava suuuper ocupada com provas, trabalhos, etc, etc... Mas agora terei um tempo pra poder ficar sem estudar e aproveitar mais a vida! Aleluia!

Recentemente fiz 15 anos. 1.5 anos! Será que alguém pode me explicar a importância dessa idade? Porque eu realmente não sei. Na véspera do meu aniversário eu estava ansiosa, né, pensando que algo mágico e extraordinário aconteceria no meu aniversário (20/10, pro caso de vocês quererem me dar presentes), mas, adivinhem!, NÃO ACONTECEU NAAAADA! Continuo a mesma pessoa idiota, meio nerd, meio feinha, que ama ler, que ama tocar violão, que sempre esquece de ir ao salão fazer a sobrancelha, e que assiste desenho animado nas horas vagas. Ou seja, nada mudou. Agora, por favor, alguém me explica o significado dessa idade. Por que todos cultuam tanto essa data fazendo festas extravagantes, dançando valsa com seus pais (?), se vestindo de princesas, fazendo books? Esse meu aniversário de 15 anos (OH, 15 ANOS) significou nada mais, nada menos que mais um ano de vida, ou, pra ser mais dramática, um ano mais próximo da morte.


domingo, 3 de novembro de 2013

Coisas da vida...

Acho que vcs pensam que falarei sobre aquelas coisas pensativas e dramáticas sobre a vida, mas eu só queria saber porque tantas pessoas estão na rua brincando de pega-pega enquanto eu estou em casa estudando para as provas de amanhã. Não é injusto?!

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Macaé- Clarice Falcão em Brasília




Gravei esse vídeo no show da Clarice aqui em Brasília (28/09). Foi perfeito gente, vocês não fazem ideia.





domingo, 22 de setembro de 2013

"Extraordinário"- R J Palacio

"Não vou descrever minha aparência. Não importa o que você esteja pensando, porque provavelmente é pior".


August Pullman, ou Auggie, é um garoto que nasceu com uma doença rara. Uma síndrome genética que lhe causou uma séria deformidade irreparável no rosto. Vive com seu pai (Nate), sua mãe (Isabel), e sua irmã Via (Olivia). É um garoto inteligente, divertido, fã de Star Wars. Sua família é formada por pessoas bonitas, mas Auggie era uma raridade.

Desde pequeno, ele recebia aulas de sua mãe em casa, mas agora seus pais tinham decidido matriculá-lo numa escola de verdade. Mas seria um desafio. Auggie não costumava sair muito de casa, e, quando saía, as pessoas o olhavam como se ele fosse uma aberração, levavam um susto, ficavam surpresos, ou com pena. Mas, enfim, lá vai August pra escola. Todos os olhares se voltando pra ele com horror, desprezo... E o interessante é que ele percebia cada sinal de surpresa, horror de cada pessoa que o olhava, mesmo que fosse por um milésimo de segundo. E sempre há os idiotas e preconceituosos, aqueles que amam fazer brincadeirinha tolas e infantis. Que é o caso de Justin, que é daquele tipo riquinho, mimado e "popularzinho", sabem? Mas August não ligava para as gozações e os diferentes modos como as pessoas reagiam à sua aparência. Ele não deixava que essas coisas o incomodasse. 

Apesar de não se importar, houve uma parte do livro na qual ele começou a chorar perguntando à sua mãe sobre o porquê de ele ser feio. Apesar de ser tão forte, ele tinha momentos de fraqueza.

O livro é dividido em partes. Em cada parte uma pessoa narra seu ponto de vista, e todos eles estão interligados a August, diretamente ou indiretamente. Quando eu estava lendo uma parte que tal pessoa narrava e passava a bola pra outro narrador, eu ficava LOUCA de curiosidade pra saber a conclusão de seu pensamento.

Um garoto andando em meio à sociedade perfeccionista tentando mostrar que, apesar de sua aparência ser diferente, ele igual a todo mundo, comum, com os mesmos desejos, sonhos, ambições. Ele conquistou pessoas pelo seu jeito de ser, por ser inteligente, divertido, e uma boa pessoa. Conquistou pessoas que não se importavam que ele tinha os olhos na bochecha e que um era mais abaixo que o outro, não se importavam com o fato de que suas orelhas pareciam punhos fechados. Levaram em conta as suas qualidades.


"Extraordinário" é realmente um livro extraordinário, assim como August.Confesso que chorei em algumas partes, e AMEI o livro! :) Conviver com a sociedade o fez crescer, aprender lidar com diversas situações, e ensinar aos outros que a beleza não está por fora. A história criada por R J Palacio é fictícia, mas está mais perto da nossa realidade do que imaginamos. Acho que o que ela quis ensinar é que pessoas que possuem alguma diferença, alguma coisa que não vai de encontro com o perfeccionismo social devem encarar a sociedade, não ligar pra algumas gozações, conquistar pessoas pelo seu jeito de ser (mas se vc é funkeiro, tem mente suja, só fala merda, e ainda tem uma deformidade, pode esquecer). Porque um dia aqueles que foram gentis e amigos vão ser recompensados e aqueles que zoaram da sua aparência, vão estar te aplaudindo.

"Toda pessoa deveria ser aplaudida de pé pelo menos uma vez na vida, porque todos nós vencemos o mundo".

domingo, 15 de setembro de 2013

"Cidades de Papel"- John Green

"Na minha opinião, todo mundo tem seu milagre. Por exemplo, muito provavelmente eu nunca vou ser atingido por um raio, nem ganhar o prêmio nobel, nem ter câncer terminal de ouvido. Mas, se você levar em conta todos os eventos improváveis, é possível que pelo menos um deles vá acontecer a cada um de nós. Eu poderia ter presenciado uma chuva de sapos. Poderia ter me casado com a rainha da Inglaterra ou sobrevivido meses à deriva. Mas meu milagre foi o seguinte: de todas as casas em todos os condados da Flórida, eu era vizinho de Margo Roth Spiegelman".



Quentin Jacobsen, ou Q (narrador-personagem) é um adolescente controlado, filho de pais psicólogos, prestes a se formar no Ensino Médio e vizinho de Margo Roth Spiegelman. Eles costumavam brincar bastante quando eram crianças, mas foram perdendo o contato.

"Margo sempre adorou um mistério. E, com tudo o que aconteceu depois, nunca consegui deixar de pensar que ela talvez gostasse tanto de mistérios que acabou por se tornar um".

Digamos que eles não se falavam porque ela era do grupo dos populares e Q era um nerd. Ou seja... Vocês entenderam. Mas isso antes de Margo aparecer na janela de Quentin e pedir o carro dos pais dele emprestado para realizar algumas vinganças... Ele acabou aceitando, e a ajudou a realizar o infalível plano de Margo. Quentin era o certinho, o pacificador, o seguidor de regras e Spiegelman era o oposto dele. Suas histórias de aventuras eram apreciadas por todos, ela usava as letras maiúsculas de forma irregular... Quentin se importava com o futuro, Margo não; Quentin nunca quebrava regras, Margo sim. Enfim, realmente o oposto.

Ela era realmente MESTRE em elaborar planos, criativa e engraçada. Não tem como não rir!

Um pouco antes de invadir o Sea World e voltar pra casa, Margo levou Q até o topo do SunTrust e comentou com ele sobre o fato de que Orlando (a cidade onde eles moravam) era uma cidade de papel. Cheia de pessoas frágeis e fúteis, vivendo suas vidas em casas de papel, não se importando com nada.

E aquela noite foi "como uma promessa. [...] Na saúde e na doença. Na alegria e na tristeza. Na riqueza e na pobreza. Até que o sol nos separe".

Certo, a noite acaba, o sol nasce e lá vai Q todo feliz pra escola pensando que agora ele pode mostrar a Margo quem ele é de verdade e que eles serão bons amigos, ou até mais... Mas aí recebe a notícia: Margo fugiu de casa. Ah, bobagem, ela já fugiu tantas vezes e sempre volta. Mas e daquela vez? Seria diferente? Quentin coloca na cabeça, num ponto inesquecível, de que Margo queria ser encontrada por ele só porque deixou uma pista: o livro de Whitman, marcado no poema "Canção de mim mesmo".

Depois de ler o poema várias vezes, ele concluiu que Margo estava morta, mas todos diziam que "nada a ver, ela só deve estar virando mundos de cabeça pra baixo". Mas para encontrar Margo, deveria se tornar Margo. Quentin virou tipo um detetive nesse tempo que Margo estava desaparecida, e mesmo longe ela conseguiu mudá-lo. Toda hora ele pensava em Margo, em onde ela estava, por quê fugiu, se estava viva...

"Mas ela é terrível! Como se procura alguém que proclama que não vai ser encontrada, que sempre deixa pistas que não vão a lugar nenhum, que foge o tempo todo? Não dá!"
O livro é dividido em 3 partes. A segunda foi a que mais me tocou. Que foi quando Q descobre que Margo não era o que ele pensava que ela era. Ela era uma garota interpretada de uma forma diferente por cada personagem do livro. Margo era diferente do que ele pensava que ela fosse. As pessoas olhavam-na como um reflexo, vendo um labirinto de espelhos*( ver Quem as pessoas pensam que nós somos?). Q tira tantas metáforas do poema que são aplicáveis na nossa vida... Só lendo pra entender a profundidade.

Uma coisa legal também é a forma como os papais noéis negros dos pais de Radar mostram como imaginamos as pessoas de forma deturpada. Talvez o Papai Noel não seja branco!

Mas Margo queria ser encontrada? Por que fugiu? E Quentin vai achá-la?

Mais um livro de sucesso de um dos meus escritores preferidos: João Verde (John Green). "Cidades de Papel", da editora Intrínseca, é um livro hilário, engraçado, sensível e profundo. O significado do título só dá pra entender ao ler toda a história. Essa é uma das características dos livros de John: só dá pra entender profundamente o título, ao ler a história toda. Mas eu A-M-E-I esse livro, com todos os sentidos da palavra. Recomendo totalmente! Quentin entrou pra minha lista de personagens masculinos preferidos! A determinação e agonia dele pra encontrar Margo é surreal e poética *-* Green tem essa facilidade de nos presentear com personagens que não conseguiremos esquecer jamais. <3 ESSE LIVRO É CHÃO, SANGUE, CORAÇÃO... É VIDAAAAA! E QUE QUOTES PERFEITOOOOOOOOOOOS! Acho que todos os seres humanos que sabem ler deveriam ler esse livro. Ele fala sobre interpretar pessoas, sobre a fragilidade de todos nós. Amei, John. Você está no topo da lista. <3333

PS: Ben e Radar são hiláriooooos!!! <3 

PS: O nome Margo Roth Spiegelman foi escolhido por John Green porque 1. Contém a palavra Go no primeiro nome (e ela desaparece da cidade). 2. Roth significa vermelho (tem algumas referências a cores nessa história). 3. Spiegelman significa ‘pessoa que faz espelhos’ em alemão (isso faz sentido pra quem lê, posso garantir).

PS: Eu leria até a lista de compras de John Green.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Quem as pessoas pensam que nós somos?

"É muito difícil para qualquer um mostrar a nós como somos de fato, e é muito difícil para nós mostrarmos aos outros o que sentimos."- Cidade de Papel- John Green*

No poema "Canção de mim mesmo" de Whitman, a relva é muitas coisas ao mesmo tempo. Ela é uma metáfora para a vida, para a morte, para a igualdade, para a conectividade, para as crianças, para Deus e para a esperança. Afinal, quem é a relva? Às vezes somos como ela. Somos enxergados de muitas formas, interpretados de maneiras diferentes. Achamos difícil entender que o outro também é um ser humano como nós. "Ou os idealizamos como deuses ou os dispensamos como animais". As pessoas pensam em nós e nós pensamos nas pessoas como "coisas" mais inferiores ou mais superiores. Nunca como seres humanos normais. Às vezes olhamos pra alguém e formulamos ideias sobre ele, sobre seu temperamento, jeito, nível de inteligência, classe social e acabamos elevando ou rebaixando esse ser, sem considerá-lo um ser humano normal como qualquer outro. E às vezes o tal alguém não é nada do que imaginamos, ás vezes nós não somos o que os outros imaginam. Podemos até ser quando estamos ali na rodinha de amigos, né. Mas quando chegamos em casa, o tipo de música que ouvimos não é o que pensam que nós ouvimos; os livros que lemos estão na lista de livros que ninguém nunca nos imaginaria lendo; os planos que temos não são nada parecidos com aqueles que pensam que temos. Talvez as pessoas precisem descobrir quem é Bruna Guimarães quando ela não está sendo Bruna Guimarães. Talvez os famosos não sejam o que aparentam ser; talvez seu amigo aí perto é outra pessoa quando não está sendo seu amigo.

"Margo não era um milagre.  Não era uma aventura. Nem uma coisa sofisticada e preciosa. Ela era uma garota".*

Ás vezes esse jogo de tentar adivinhar quem tal pessoa é revela mais de quem tenta adivinhar do que sobre a que está sendo adivinhada. "São tantas pessoas. É tão fácil se esquecer que o mundo é cheio de pessoas, lotado, e cada uma delas é imaginável e sistematicamente mal interpretada".*

Um dia, Dr. House, aquele cara daquele seriado, disse que nós somos quem as pessoas pensam que somos. E eu vim aqui corrigir essa calúnia. Pois, na maioria dos casos, quem somos realmente está guardado dentro de nós, e até tentamos mostrar nosso verdadeiro eu mas as pessoas estão ocupadas olhando mais para um labirinto de espelhos do que para nossa janela. Preferem olhar o que pensam que somos do que olhar para quem realmente somos. Sobram espelhos no mundo, e onde estão as janelas?



*Mais detalhes sobre o livro na resenha que será publicada em breve.

domingo, 8 de setembro de 2013

domingo, 1 de setembro de 2013

O poder da imaginação

Você tá dormindo tranquilamente com seu bichinho de pelúcia da Imaginarium, aí bate aquela vontade de ir ao banheiro e você acorda. Sonolenta, se desvencilha do edredom e do bichinho e sai da cama. Caminhando na direção do banheiro, pára. O que é aquilo a 3 metros no chão? Aquilo não estava lá quando você foi dormir. Você pensa quase racionalmente no que poderia acontecer se fosse até lá. Bem, poderia ser um sapo, e ele poderia voar na sua cara; poderia ser uma cobra enrolada que te atacaria a qualquer momento; também poderia ser o bicho papão (ah, você sempre soube que ele existia! e agora ele estava no seu quarto pronto pra te atacar); ou uma lesma, milhares de lagartas, um escorpião gigante... Ou pode ser um bichinho de estimação daqueles personagens de filme de terror! Aí você começa a olhar pra todos os cantos escuros do seu quarto procurando pela mulher de preto e a encontra do lado da sua cama! Só que, diferente do filme, você não quis se matar. Então você começa a ficar louca e tremer de medo. Claro, quem não ficaria? Você se lembra exatamente de quantos meses ficou sem conseguir dormir por causa daquele filme, e agora ela estava lá no seu quarto com uma espécie de bicho papão misturado com um sapo, uma cobra, milhares de lagartas e etc. Era muito terror pra uma pessoa só, então você encarna a criança bobona e chorona de dentro dessa adolescente que se acha madura e chama a mamãe e o papai. Eles vêm assustados, tipo, "o que será que aconteceu com minha filhinha?". Aí você fala pra eles o que tem no seu quarto, eles não veem nada, falam que você tá maluca. O monstro no chão era um par de sapatos, e não há nenhuma mulher de preto do lado da sua cama.

Isso foi uma prova viva de como a vontade de ir ao banheiro afeta sua mente.



quinta-feira, 29 de agosto de 2013

"Da Timidez"- Luis Fernando Veríssimo

Ser um tímido notório é uma contradição. O tímido tem horror a ser notado, quanto mais a ser notório. Se ficou notório por ser tímido, então tem que se explicar. Afinal, que retumbante timidez é essa, que atrai tanta atenção? Se ficou notório apesar de ser tímido, talvez estivesse se enganando junto com os outros e sua timidez seja apenas um estratagema para ser notado. Tão secreto que nem ele sabe. É como no paradoxo psicanalítico, só alguém que se acha muito superior procura o analista para tratar um complexo de inferioridade, porque só ele acha que se sentir inferior é doença.

Todo mundo é tímido, os que parecem mais tímidos são apenas os mais salientes. Defendo a tese de que ninguém é mais tímido do que o extrovertido. O extrovertido faz questão de chamar atenção para sua extroversão, assim ninguém descobre sua timidez. Já no notoriamente tímido a timidez que usa para disfarçar sua extroversão tem o tamanho de um carro alegórico. Daqueles que sempre que-bram na concentração. Segundo minha tese, dentro de cada Elke Maravilha existe um tímido tentando se esconder e dentro de cada tímido existe um exibido gritando "Não me olhem! Não me olhem!" só para chamar a atenção.

O tímido nunca tem a menor dúvida de que, quando entra numa sala, todas as atenções se voltam para ele e para sua timidez espetacular. Se cochicham, é sobre ele. Se riem, é dele. Mentalmente, o tímido nunca entra num lugar. Explode no lugar, mesmo que chegue com a maciez estudada de uma noviça. Para o tímido, não apenas todo mundo mas o próprio destino não pensa em outra coisa a não ser nele e no que pode fazer para embaraçá-lo.

O tímido vive acossado pela catástrofe possível. Vai tropeçar e cair e levar junto a anfitriã. Vai ser acusado do que não fez, vai descobrir que estava com a braguilha aberta o tempo todo. E tem certeza de que cedo ou tarde vai acontecer o que o tímido mais teme, o que tira o seu sono e apavora os seus dias: alguém vai lhe passar a palavra.

O tímido tenta se convencer de que só tem problemas com multidões, mas isto não é vantagem. Para o tímido, duas pessoas são urna multidão. Quando não consegue escapar e se vê diante de uma platéia, o tímido não pensa nos membros da platéia como indivíduos. Multiplica-os por quatro, pois cada indivíduo tem dois olhos e dois ouvidos. Quatro vias, portanto, para receber suas gafes. Não adianta pedir para a platéia fechar os olhos, ou tapar um olho e um ouvido para cortar o desconforto do tímido pela metade. Nada adianta. O tímido, em suma, é uma pessoa convencida de que é o centro do Universo, e que seu vexame ainda será lembrado quando as estrelas virarem pó.


quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Injustiça

Tive dois sonhos em uma noite:

Em um eu estava em NY, na viagem dos meus sonhos.

No outro eu perdi o escolar.

Agora adivinhem qual foi o que se realizou?

PS: Isso, o do escolar.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

"Como eu era antes de você"- Jojo Moyes

"Aos 26 anos, Louisa Clark não tem muitas ambições. Ela mora com os pais, a irmã mãe solteira, o sobrinho pequeno e um avô que precisa de cuidados constantes desde que sofreu um derrame. Trabalha como garçonete num café, um emprego que não paga muito, mas ajuda nas despesas, e namora Patrick, um triatleta que não parece interessado nela. Não que ela se importe.
Quando o café fecha as portas, Lou é obrigada a procurar outro emprego. Sem muitas qualificações, consegue trabalho como cuidadora de um tetraplégico. Will Traynor, de 35 anos, é inteligente, rico e mal-humorado. Preso a uma cadeira de rodas depois de um acidente de moto, o antes ativo e esportivo Will desconta toda a sua amargura em quem estiver por perto. Tudo parece pequeno e sem graça para ele, que sabe exatamente como dar um fim a esse sentimento.
O que Will não sabe é que Lou está prestes a trazer cor a sua vida. E nenhum dos dois desconfia de que irá mudar para sempre a história um do outro. Como eu era antes de você é uma história de amor e uma história de família, mas acima de tudo é uma história sobre a coragem e o esforço necessários para retomar a vida quando tudo parece acabado".

Quando Louisa começou a trabalhar como cuidadora de Will, ela não gostava. Ele era ignorante, tratava-a com desinteresse e Lou só aturava aquele emprego porque precisava do dinheiro pra ajudar sua família. Mas aos poucos eles foram ficando amigos, e ela percebeu que ficava mais tempo com Will do que com Patrick. Will era engraçado, se importava com ela; e Patrick só falava sobre calorias, Norseman Xtreme, e coisas relacionadas à massa corporal e esportes. Louisa, com 27 anos, não fez faculdade e também não se importa muito em crescer na vida. Isso antes de Will incentivá-la a estudar e ter uma vida melhor e etc. Tudo estava indo bem até Clark ouvir a conversa da Sra. Traynor e Georgina (irmã de Will) sobre o fato de ele ter decidido ir para Dignitas, na Suiça, que é, por mais horrível que pareça, uma clínica suíça que cobra cerca de R$ 15 mil para fazer suicídio assistido. Ele iria pra lá a seis meses.

Lou pensou em se demitir, mas acabou por continuar com Will. Ela havia decidido ajudá-lo a mudar de ideia sobre Dignitas. "Eu dispunha de cento e dezessete dias para convencer Will Traynor de que ele tinha motivos para viver". Ela planejou vários passeios, viagens a fim de tentar convencê-lo de que ainda havia motivos pra viver. Se ela conseguiu ou não fazê-lo mudar de ideia, isso eu não vou dizer. Digo apenas que eles se apaixonaram. Mas será que o amor foi suficiente? O suficiente para convencer alguém a não se suicidar? Alguém que era totalmente dependente, que morria de saudades das aventuras que vivera, dos países que visitara; alguém que não queria mais sofrer, não queria ficar "aprisionado" numa cadeira de rodas pro resto da vida. Queria viver, mas sem a companhia da cadeira de rodas. 

Depois que ele sofreu o acidente e ficou totalmente dependente, a única coisa que ele tinha autoridade era tomar suas próprias decisões. Ele vai escolher morrer, ou viver, apesar do amor e das tentativas de Louisa?

Por: Bruna G.

Vocês não têm nem 1% de ideia do quanto eu chorei. Não tanto quanto em "a culpa é das estrelas", mas esse livro realmente me emocionou. Eu recomendo pra quem quer se deprimir, sei lá, ou pra quem quer uma boa história pra ler. ;)

Dia dos solteiros

Seria um planejamento para uma futura estratégia de marketing? Já posso ver o dia em que as lojas vão ganhar muito dinheiro vendendo presentes para solteiros que querem presentear a si mesmos. Mas acho que, atualmente, o dia dos solteiros só existe porque as pessoas não têm o que fazer, então ficam a inventar datas pra tudo.

Enfim, feliz dia dos solteiros pra quem é solteiro. Não há motivos pra ficarmos tristes por não termos alguém; o mundo é mais do que isso. Ainda existem livros, músicas, chocolate, filmes, pipoca, sorvete... pra quê alguém, né? Devo anunciar a todos que eu, euzinha, não sou mais solteira. Pois é, meus amigos e minhas amigas, sei que estão surpresos. Deveriam estar mesmo. Nunca falei deles pra vocês. Eu o amo e ele me ama, sabe, fomos feitos um pro outro. Pena que ele é um personagem de um livro (HAHAHAHA).

Não dou a mínima para o dia dos solteiros, mesmo eu sendo uma. Está sendo um dia normal. Não caiu nenhum meteoro na terra, ainda não vi uma lhama nem uma estrela cadente, não ganhei um violão nem um livro novo, etc. O que nos resta é viver o dia dos solteiros como se ele tivesse uma importância histórica (o que eu tenho certeza que não tem) e adotarmos a frase "antes só do que mal acompanhado" como nosso lema de vida. E viva os solteiros!

quarta-feira, 7 de agosto de 2013


"Esqueça Um Livro".



Uma ótima iniciativa! Vale a pena assistir e, se possível, praticar (:
Vamos desapegar dos nossos preciosos livros e passar adiante. Talvez alguém se interesse, e assim formamos uma corrente contribuindo para um Brasil que lê mais! ;)

terça-feira, 6 de agosto de 2013

O que uma garota tem a ver com uma proposta irrecusável- Jill Mansell

Li esse livro duas vezes e ainda não tinha feito a resenha dele. Então, lá vai:

O livro conta a história de Doug e Lola. Eles eram namorados, se amavam e blá blá blá. Viviam felizes, até Adele, a megera mãe de Dougie aparecer com uma proposta. Ela ofereceu a Lola uma coisa em troca de que ela rompesse seu namoro com Doug. Mas é claro que Lola não aceitou! Essa velha pensava que poderia comprá-la?? Mas acabou que Lola precisou, realmente precisou da tal coisa. Acabou rompendo suas relações com Doug pra ajudar uma pessoa que ela amava muito, e fugiu com sua amiga. Oh, pobre Doug, ficou arrasado. A dor da perda era tão devastadora que ele sentiu como se seu coração pudesse, de verdade, se partir. 

Anos depois, Lola estabelecida financeiramente, trabalhando com o que ela realmente gosta, se encontra com Doug. Tudo o que ela sentia ainda estava lá, e ela tinha certeza que ele também sentia. Mas ele se recusava a admitir, e nem mostrava sinais de que estava interessado nela, ainda mais depois de saber que ela o trocara por uma coisa... No decorrer da história há vários acontecimentos, histórias de outras pessoas envolvidas, como: Gabe, Sally, Nick, Blythe... Lola conhece seu pai verdadeiro (Nick), tenta reaproximá-lo da sua mãe, mas tudo dá errado porque ela está apaixonada por um ursão que se veste mal e tem uma franja de cabelo nos dedos dos pés. Lola se importava muito com a aparência das pessoas. Esquecia de olhar pra dentro delas.

Acontece que Doug tinha uma namorada. Claro, sempre há algo para impedir um casal de ficar junto. Mas ela não era só a namorada de Doug. Ela era a famosa garota inteligente, sabe-tudo, linda, adorada pela sogra, etc. Enfim, tudo o que Lola não era. Mas será que Lola ainda tinha chance? Ela queria saber. Então fez de tudo pra aparecer, impressioná-lo pra ele finalmente ( finalmente!) lembrar que ela era a mulher da vida dele. Mas como Lola diz: isso não é uma história perfeita, nem um conto de fadas. 

Enquanto Lola tentava reconquistar Dougie, outros romances rolam por aí. Mas vou falar apenas sobre a personagem principal. Apareceu outro cara na vida dela, porém ele não era Doug, então não foi pra frente. Mas afinal, por que Lola precisara daquela coisa anos atrás? Nick fez essa pergunta a Doug, e o deixou pensando. Quem era tão importante assim pra ela, a ponto de ela aceitar a proposta? E será que Dougie vai conseguir descobrir e perdoá-la? 


Me identifiquei bastante com a paixão por livros de Lola; e também pela sua frequência de criar fantasias. Amei a escrita engraçada e inteligente de Jill Mansell e a forma com que ela lembra durante o livro inteiro que isso não é um conto de fadas, não é uma história perfeita daqueles programas de tv, não é um livro do Nicholas Sparks, nem um romance de Stephanie Perkins. Isso foi o que mais gostei. E, realmente, não era nada ficcional. Era tão real, que pareceu-me uma história verídica. 
Mas, como TANTOS outros escritores, Jill Mansell NÃO DESCREVE OS PERSONAGENS! Isso é horrível, não tem como ser pior! Todos os escritores que se prezam deveriam descrever seus próprios personagens! Pense sobre isso, Jill Mansell, e escreva um livro mais detalhista, talvez. Esse foi um dos melhores livros que eu já li, um dos mais engraçados e legais. Ele parece ser um romance chato e etc, mas confiem em mim, ele definitivamente não é! É perfeito! E pensar que tudo começou com um daquelas propagandas que vêm dentro de alguns livros que a gente compra. Eles podem trazer a propaganda do melhor livro que você vai ler na vida. Dê valor!

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

O que fazer no último dia de férias?

Meu último dia de férias foi ontem e eu sempre fico sem saber o que fazer quando chega esse dia.
Acontece que eu pensei tanto no que poderia fazer pra finalizar minhas férias com chave de ouro, que acabei por não fazer nada muito interessante. Tocar violão, ler e reblogar já são coisas muito normais pra mim.

Certo, meus pais não entendem o valor sentimental que esse dia tem pra mim. Caramba, é o fim das minhas férias! Mas, pra eles, é apenas um dia qualquer. O dia perfeito pra acordar sua filha de madrugada (8:30), obrigar ela a lavar a louça, arrumar o quarto, fazer o arroz e todas essas coisas. Ah, mas tudo isso muda quando você faz aquela cara de tortura e diz: "poxa, mãe/pai, hoje é meu último dia de férias". Nesse momento você pensa que eles ficarão com pena de você, e que te deixarão fazer qualquer coisa e ir a qualquer lugar, mas o que eles dizem? "Finalmente! Já estava na hora de voltar a estudar". Oh, que maldade!

Meu último dia de férias não foi lá essas coisas, ainda estou bolada com meus pais por não contribuírem para um mágico fechamento das minhas férias, e meu primeiro dia de aula foi horrível.

P.S. Meu primeiro dia de aula só não foi TÃÃO horrível assim porque eu ganhei um cupcake, isso salva qualquer um de qualquer depressão do tipo não-tive-um-bom-último-dia-de-férias.


sexta-feira, 26 de julho de 2013

"Toda Poesia"- Pág. 50


By me.

Resenha: "Como dizer adeus em robô"- Natalie Standiford

Beatrice Szabo é uma garota que vive mudando de cidades e escolas por causa do seu pai, que era professor universitário e vivia procurando por subvenções maiores, alunos mais inteligentes e reverências maiores por parte dos colegas. Estavam se mudando de Ithaca para Baltimore. Sua mãe andava meio estranha desde que se mudaram para Ithaca. "[...] antes de Ithaca, era como uma irmã mais velha ou uma babá favorita. [...] Então, depois que nos mudamos para Ithaca, ela começou a agir estranho- distante, como se guardasse segredos de mim". Esse negócio de robô (ver título do livro) começou quando o gerbil que Beatrice e sua mãe tinham acabado de encontrar, morreu. Não havia nem um dia que o haviam encontrado, mas mesmo assim sua mãe fez o maior drama por causa da sua morte, com direito a prantos, soluços e tudo o mais. Naquele momento, eu tive certeza que a progenitora de Beatrice Szabo tem problemas sentimentais e cerebrais. Beatrice não ficou triste nem nada, mal se importava com a morte do pequeno roedor. E, nesse contexto, a mãe de Beatrice disse que ela era um robô, ou seja, não tinha sentimentos.
"Talvez eu seja um robô, pensei. Será? Bati na minha barriga. Não fez barulho do jeito que uma barriga de robô deveria fazer. Longe disso".
Baltimore. Nova cidade, nova escola, novos amigos. Beatrice conheceu Anne, ASUE (Anne Sem Um E), Tiza, o charmosíssimo Tom Garber, Walt e o Garoto Fantasma: Jonah. "A pele era branca como farinha e os olhos, cinza como gelo de lago. Parecia um fantasma." Jonah não tinha amigos, as pessoas caçoavam da aparência dele e do seu jeito fantasmagórico de viver, pois ele agia como se não estivesse presente.

Beatrice e Jonah se envolveram numa amizade muito forte.
"- Por que está com tanto ciúme? - perguntei. - Não é como se você fosse meu namorado nem nada. Você é?
- Namorado é uma palavra tão idiota - falou Jonah. - Não, não sou seu namorado. Achei que estávamos muito além disso. O que nós somos não pode ser descrito por palavras triviais como namorado e namorada. Até mesmo amigos não chega nem perto de descrever".
Eles compartilhavam segredos, planos, angústias, assistiam todos os dias a um programa de rádio da madrugada chamado The Nitgh Lights, etc. Os personagens do programa de rádio me pareceram muito interessantes, cada qual com suas características: Don Berman sempre fazia uma voz diferente; Kreplax era o cara do futuro; Larry sempre colocava pra tocar uma música velha; Dottie era depressiva, e etc. Me encantei com cada um deles. Jonah e Beatrice se apresentavam como Garoto Fantasma e Garota Robô.

Não vou dizer o que acontece no final. Jonah é o tipo de personagem misterioso, mas que a gente acha que conhece. Porém, quando chegamos ao fim do livro percebemos que não, não conhecemos Jonah.

Ainda não me despedi dos personagens. Dá vontade de ler de novo, e de novo.

Amo esses livros que não têm um final previsível. Se você espera previsibilidade da parte de Natalie Standiford, pode tirar o cavalinho da chuva! "Como dizer adeus em robô" (Galera Record, 2013) fala sobre um tipo diferente de amor, não esse tipo de amor que todos esperam num romance, mas um amor inexplicável. Não especificamente um amor de namorados, nem de amigos, nem de irmãos. Podemos dizer que é tudo junto e misturado. Nunca tinha lido um livro que fala sobre esse tipo. Achei interessante, lindo, tudo de bom e etc. Recomendo.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Feliz Dia do Escritor!!

PARABEEEEEEEEEENS a vocês escritores! Obrigada por criarem mundos, personagens e histórias maravilhosas! Graças a vocês lendas e ficção se tornaram realidade. Graças a vocês nós podemos fugir pra outros mundos quando nos cansamos deste. Aprecio muito essas pessoas que conseguem mudar a vida de alguém por meio de palavras escritas, ou mesmo criar um refúgio para esse alguém, uma história para se inspirar. Parabéns aos escritores do melhor livro do mundo: Bíblia. Pois esse é o livro mais transformador de todos. E um parabéns especial aos meus escritores preferidos:

 Ah, Meggy (Meg Cabot), você foi a escritora da minha pré-adolescência <33

Stephanie Perkins. Autora de dois dos meus romances preferidos <33333333

 Tio Rick (Rick Riordan). Autor da minha coleção favorita. <333 Aprendi muito sobre mitologia grega e romana com vc, tio Rick.

JOÃO VERDEEEEEEEE ( John Green) <3333333333333333 Autor de um dos meus romances favoritos e dos livros mais engraçados que já li. JOÃO VERDE: O mais louco, divertido, louco, louco e maravilhoso escritor de todos os tempos! 

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Sabe quando você está num lugar cheio de gente com câmeras profissionais, com aquelas lentes MEGA perfeitas, aqueles flashes MARAVILHOSOS e aí você olha pra sua câmera e dá vontade de esconder considerando a inferioridade dela em meio às outras? Pois é.
Mas então você vê uma câmera pior que a sua, e isso faz o seu dia ficar mais bonito, mais ensolarado, mais tudo.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Playlist- Parte 3

Finalmente as últimas músicas dessa playlist enorme! Eu postaria mais, porém, sei que todos devem estar cansados de TANTAS músicas. Vamos às últimas:

Little Things- One Direction

When I Look At You- Miley Cyrus

Baby Blue Eyes- A Rocket To The Moon

You and Me- Lifehouse

Perfect to Me- Ron Pope

I'm yours- Jason Mraz

Safe and Sound- Taylor Swift (cover by Alex Goot, Luke Conard, Chad Sugg)

Red-Taylor Swift

Half Of My Heart- John Mayer  feat. Taylor Swift

1, 2, 3, 4- Plain White T's


sábado, 13 de julho de 2013

Resenha: "P.S. Eu te amo"

Holly acabou de perder Gerry, seu marido, para um tumor cerebral. "Gerry havia partido para nunca mais voltar. Era a realidade. Ela nunca mais passaria os dedos por seus cabelos macios, nunca mais dividiria com ele uma piada à mesa de um jantar com amigos, nunca mais reclamaria para ele quando chegasse em casa depois de um dia duro de trabalho, carente de um abraço, nunca mais dormiria na mesma cama que ele, nunca mais acordaria com o ataque de espirros dele de manhã, nunca mais riria com ele até a barriga doer, nunca mais brigaria com ele para decidir de quem seria a vez de se levantar e apagar a luz do banheiro. Só restaram um monte de lembranças e a imagem do rosto dele que se tornava mais vaga a cada dia".

Estava em seus meses de luto quando sua mãe, Elizabeth, ligou dizendo que havia chegado um pacote pra ela e que nele estava escrito: "A Lista". Acontece que, antes de morrer, Gerry havia escrito 10 cartas, uma para cada mês. Dentro do pacote, havia uma folha solta em meio aos pequenos envelopes:

Minha amada Holly,
Não sei onde você está e onde exatamente está lendo isto. Só espero que esteja bem. Você me disse a pouco tempo que não conseguiria continuar sozinha. Mas você consegue, sim, Holly.  
Você é forte, corajosa e vai conseguir passar por isso. Vivemos coisas lindas juntos e você fez a minha vida... Você fez a minha vida. Não tenho arrependimentos. Mas sou apenas um capítulo de sua vida, muitos outros virão. Guarde nossas lindas lembranças, mas, por favor, não tenha medo de criar outras. 
Obrigado por me dar a honra de ser minha esposa. Por tudo, sou eternamente grato.
Sempre que precisar de mim, saiba que estarei com você.
          Amor eterno, de seu marido e melhor amigo, 
Gerry
P.S. Prometi que faria uma lista, então aqui está. Os próximos envelopes devem ser abertos exatamente no mês certo. Obedeça. E lembre-se de que estou cuidando de você, por isso vou saber...

Gerry escreveu escondido as 10 cartas para ajudá-la a se recuperar do luto. A marca de suas cartas foi o final delas, no qual ele sempre escrevia: "P.S. Eu te amo". "Holly não teve que se preocupar em tomar todas as grandes decisões, pois Gerry já as havia tomado por ela. Ele a estava ajudando, e, pela primeira vez, Holly sentiu que também o estava ajudando".

Holly sentia falta de Gerry, muita falta. "Torcia para que Gerry soubesse que suas palavras tinham sido ditas apenas por raiva e que elas não refletiam seus verdadeiros sentimentos. Ela se torturou pelas vezes que agira de modo egoísta, saindo com os amigos nas noites das discussões em vez de ficar em casa com ele. Repreendia-se por ter se afastado de Gerry quando deveria ter ficado perto, pelas vezes em que passou dias de cara virada em vez de perdoá-lo [...]. Queria voltar no tempo e corrigir todos os momentos em que sabia que ele se irritara e a detestara. Queria que todas as lembranças fossem de coisas boas, mas as coisas ruins sempre voltavam para assombrá-la e todas foram uma grande perda de tempo". A dor de Holly era esmagadora, até pra mim. Ela via todas os sonhos dela indo por água abaixo e tudo o que temia vindo à tona. "Não queria mais ficar sozinha [...]. Só queria Gerry de volta e não se importava com mais nada. Não se importava se ele voltasse e eles discutissem todos os dias, não se importaria se eles não tivessem dinheiro e nem casa. Só queria ele". 

Ela via a vida das suas amigas andando pra frente e ficava feliz e enciumada ao mesmo tempo. Feliz por Denise se casar e por Sharon estar grávida, mas enciumada porque a sua vida era a única que não ia pra frente pois continuava apegada a Gerry, às mensagens que ele havia deixado pra ela. Ela precisava dele, sentia falta de tudo o que ele fazia quando ela acordava, quando ela estava triste, quando era seu primeiro dia de trabalho... Sentia falta das brincadeiras, das conversas... de tudo! E não conseguia se desapegar das coisas dele, e das suas cartas. "Quando Gerry era vivo, ela vivia por ele e, agora que ele estava morto, ela vivia pelas mensagens que ele havia deixado". Mas Gerry escreveu uma coisa a ela, uma coisa muito importante: "Guarde nossas lindas lembranças, mas, por favor, não tenha medo de criar outras". Sua vida estava tomando outro ritmo graças às cartas de Gerry. Vocês não sabem o quanto desejei a ela uma vida ótima como a de suas amigas! Holly parecia tão feliz em alguns momentos, mas tão triste em outros... Foi triste de se ler. Ela foi superando a morte de Gerry pouco a pouco, com a ajuda dele. Seria desumano da minha parte se dissesse o que havia nas cartas, portanto, não direi. Terão que descobrir sozinhos.

Ok, mas o livro não é tão triste assim! Cecelia Ahern sabe como deixar um livro engraçado e dramático ao mesmo tempo. A dor de Holly é retratada de uma forma detalhadíssima, e eu acabei me envolvendo com ela, na dor dela, nas esperanças, medos, dúvidas e tudo o mais. Foi uma ótima narrativa em 3 pessoa, mas senti falta dos detalhes. Cecelia Ahern deixou a desejar. Os detalhes que ela deu não foram o suficiente pra eu formar os personagens e ambientes na minha cabeça. Mas, fora isso, A-M-E-I a história, principalmente por ela não ter tido um final previsível. Quer dizer, em parte teve, sim, um final previsível; em parte não. Agora o que todos querem saber: A moral. Bem, a moral: é que não devemos parar de viver porque um ente querido morreu. Ele morreu mas não levou os batimentos cardíacos da sua vida, ok? Guardar as lembranças que teve, mas não ter medo de criar outras e de voltar a viver. Acho que essa é a principal lição. E eu espero que, terminada a narrativa, Holly tenha achado uma vida maravilhosa, ao lado de alguém que ela ama. Na minha imaginação, sim, ela teve um final feliz, com dois filhinhos e um cara legal que a ama. Ela merece.


P.S. AH, e fiquei sabendo que transformaram em filme, né? Vou assistir qualquer dia desses. Se mudarem a história, eu processo o filme!


quinta-feira, 11 de julho de 2013

Resenha do filme "Amor e Inocência"


"Na sociedade inglesa de 1795, apenas o dinheiro fazia funcionara sociedade classicista da época e amar era considerado tolice. O Senhor e a Sra. Austen querem o melhor para sua filha caçula e planejam casá-la com o rico sobrinho de uma nobre senhora da região, mas a jovem Jane (Anne Hathaway), abençoada com um espírito independente, enxerga muito além de riquezas e posição social, além de orgulho e preconceito. Ela quer se casar por amor.E é neste momento que Jane conhece o irlandês Tom Lefroy (James McAvoy), um estudante de direito em visita ao campo. Ele é bonito, inteligente e... pobre. Seus caminhos se cruzam várias vezes. Eles duelam verbalmente na floresta,dançam no baile da assembléia, ela o derrota no jogo de cricket e ele lhe dá Tom Jones para ler. Estão se apaixonando. Sem a aprovação dos familiares, a única solução seria fugir, o que acarretaria em vergonha para a família dela e miséria para a dele. Será que o jovem casal está pronto para tomar uma decisão que tanto ofenderia a razão e a sensibilidade da época?"




Ok que eu acho uma besteira esse negócio de se casar por dinheiro, sendo que não há felicidade no dinheiro, mas... relevemos, eram coisas da época. O pai de Jane achava que ela tinha que se casar por amor, mas, devido às condições financeiras da família, ele sugeriu que aceitasse o pedido de casamento feito por sr. Wisley (Laurence Fox), neto da aristocrata Lady Gresham (Maggie Smith). Porém, ela não o amava, havia outra pessoa no seu coração: Tom Lefroy (James McAvoy). Só que este não era rico, dependia do seu tio para sobreviver. Mas quem manda no coração? Ele não escolhe as pessoas pelo dinheiro, status social, beleza, etc. Mas, voltando... Jane e Tom se apaixonaram. E eu achei interessante e emocionante o fato de que, Jane não quis se casar com Sr. Wisley apesar das dificuldades de sua família; ela preferiu seguir seu coração. E eu amei isso. Acontece que não daria certo; Tom e Jane foram feitos para se amarem, não pra ficar juntos, receio. Eu chorei do meio do filme até o final, me perguntando "oh, por que, por que eles não ficam juntos?" Mas, às vezes, há outros planos pra nós, melhores ou piores, cabe a cada um dizer. Achei legal o fato de que o final do filme não foi previsível. Não contarei o fim do filme, seria grosseiro da minha parte. Foi lindo ver a história que inspirou Jane a escrever um dos meus livros favoritos: Orgulho e Preconceito. Eu recomendo totalmente, seja pra quem tem um amor impossível como pra quem não tem o que fazer nas férias.


Título original: Becoming Jane (2007)
Gênero: Drama
Direção: Julian Jarrold
Roteiro: Kevin Hood, Sarah Williams
Elenco: Anna Maxwell Martin, Anne Hathaway, Chris McHallem, Donald O'Farrell, James Cromwell, James McAvoy, Jessica Ashworth, Joe Anderson, Julie Walters, Laurence Fox, Lucy McKenna, Maggie Smith.
Produção: Douglas Rae, Graham Broadbent, Robert Bernstein
Trilha Sonora: Adrian Johnston


Trailer

terça-feira, 9 de julho de 2013

Playlist- Parte 2

Bubbly- Colbie Caillat

De janeiro a janeiro- Roberta Campos e Nando Reis

When I was your man- Bruno Mars <3

Ironic- Alanis Morissette

Just the way you are- Bruno Mars

Don't you worry child-Swedish House Mafia (cover by Sam Tsui and Kurt Schneider) <3333

I'm alright

Wake me up- Ed Sheeran <3

Cold Coffe- Ed Sheeran

Love is easy- McFly

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Romancismo

Todos devem ter percebido que ando muito amorosa nesses últimos dias, pois ando postando poesias e etc, etc. Certo. E isso denuncia meu crime: tentei parar de ler livros de ficção mas não está dando certo, e vocês, seguidores, estão sendo atacados pelas consequências da minha falha. Sinto muito. 

Romance faz parte da minha vida, não vivo sem um livro de romance. Não sei porquê, não sei como, não sei que tipo de drogas os romancistas colocam nos livros mas, confesso, estou viciada. Não que isso seja uma bela de uma confissão a se fazer. Eu acho que leio romances por não possuir a vida romântica que tantos namorados têm, então me contento em ler livros com esses romances que vocês podem achar idiotas, chatos, melosos, mas que eu realmente não vivo sem. E sei que isso é uma coisa meio "nada a ver" de se dizer, até porque eu tenho quase 15 anos, apenas. Ninguém com 15 anos deveria se importar com qualquer coisa relacionada à vida amorosa, mas eu me importo.

Eu sei que tanta ficção romancista acumulada na minha cabeça pode causar algum problema na minha exigência de escolher meu futuro namorado, mas eu não me importo no momento. E estou desabafando aqui porque ninguém lê meu blog, mesmo (tristezas a parte).

Além de ler esse gênero como substituição de um amor inexistente, eu acho lindo romances. É lindo quando duas pessoas se relacionam, andam de mãos dadas, fazem declarações para seu/sua parceiro(a), e relatado nos livros é ainda mais mágico, ainda mais pra quem não vive esse tipo de coisa. 

Mas, convenhamos, se eu não ler romance vou ler o quê? Aventura? Não. Terror? Não mesmo. Erotismo? Tá brincando?! O que sobra? O que?


Playlist- Parte 1

Aê! Férias finalmente! E como estou sem nada pra fazer, vou postar uma playlist de músicas que eu amo. A maioria é cover, porque eu amo esses covers, total. Mas vou dividir essa playlist em 3 partes pois há muitas músicas, e mesmo assim não vai dar pra postar todas elas em 3 partes porque as playlists ficariam muito extensas. 


Evertthing Has Changed- Taylor Swift (feat. Ed Sheeran)

Clarity- Zedd feat Foxes (cover by Alex Goot, Luke Conard and Landon Austin)

Monomania- Clarice Falcão

A Thousand Years- Christina Perri (Boyce Avenue acoustic cover)

I Won't Give Up- Jason Mraz feat. Sungha Jung <33333333333


93 Million Miles- Jason Mraz <3333

22- Taylor Swift (Cover by Alex Goot, Sam Tsui, Kurt Shneider, Chrissy and King The Kid) <33333

Just Give Me a Reason- Pink (cover by Kurt Schneider, Sam Tsui,Kylee)

A Drop in The Ocean- Ron Pope

Brave- Action Item


sábado, 6 de julho de 2013

"Quadrilha"

Por que você gosta de quem não gosta de você? Já escreveu o poeta Carlos Drummond de Andrade:

"João amava Teresa que amava Raimundo 
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para o Estados Unidos, Teresa para o
convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto
Fernandes
que não tinha entrado na história."

Pra que insistir?



quinta-feira, 4 de julho de 2013

Resenha: "Cores de Outono

Melissa e Alice perdem seus pais em um acidente de carro e vão morar com seu avô, George, na cidade pequena da sua infância. Melissa, a mais velha com 21 anos, é desastrada a ponto de acreditar que as "forças sombrias" do universo se divertem com as humilhações dela, por isso elas se repetem. Tentando superar a perda da mãe e do padrasto, Melissa tenta construir uma nova vida. Uma vida baseada em cuidar de quem ela ama, ou seja, proteger e educar sua irmã caçula, Alice. Não estava preparada para um novo amor quando conheceu Vincent: "o homem alto de ombros largos usava um combinado preto, simples e perfeito. Seu físico atraente se movia na roupa justa enquanto ele caminhava ao meu encontro como um felino, elegante e sedutor. Seu rosto possuía traços fortes, bonitos, mas sérios [...]. As sobrancelhas grossas emolduravam olhos penetrantes e o nariz reto, bem definido, completava lábios assimétricos. Seu cabelo liso, um pouco comprido, caía em mechas na testa fazendo o contraste de preto e branco. E essa aparência irreverente conferia-lhe um charme enigmático... irresistível.". 

Ele mudava de humor constantemente, mas isso não impediu que Melissa se apaixonasse por ele. "Nunca sabia qual seria sua reação, sua personalidade arrogante estava esfarelando meu autocontrole, embora sua elegância e beleza genuína amolecessem meus ossos. Esse homem tinha sérios problemas de socialização, de humor, e ainda havia espaço para um emaranhado de esquisitices emocionais impossíveis de descrever. E para piorar essa loucura, não podia mais negar o fato de que estava, incompreensivelmente, apaixonada por ele. Vincent me fascinava ao ponto de me deixar sem palavras. E o que mais assustava... esse homem intimidador me atraía ao ponto de fazer uma revoada de borboletas rodopiarem em meu estômago até me deixar sem ar. Isso não era medo, muito menos era normal".


Por se apresentar sempre mau humorado e carrancudo, Vincent era motivo de desprezo e fofocas na cidade. Ele morava com a família Von Berg, e a população da cidade inventava várias histórias sobre aquele lado da montanha. Todos achavam essa família estranha, por viver tão isolada. E vamos dizer que a expressão mau humorada de Vincent não atraía amizades e boas histórias para a família Von Berg. É certo que ele não era normal... e só quem leu o livro sabe o que ele é realmente. O cavalheiro carrancudo não costumava atrair amizades, mas atraiu Melissa, e seus caminhos sempre se cruzavam. George não aprovava a amizade deles, e Arthur também não. Arthur era um amigo de infância de Melissa, e estava apaixonado por ela. Pena que não era recíproco, Melissa amava a outro: "O tempo passava vagarosamente agora e aceitei a verdade. Por mais que Arthur pudesse ser a pessoa certa, o amor possível, real e esperado, ele não se comparava com o amor que eu sonhava... Com o homem que eu desejava. E não poderia me enganar, não poderia trair meu coração. Sempre imaginei que teria de viver o amor para experimentar suas dores, mas apenas o sonho desse amor impossível estava me dilacerando".

Mas havia decisões que ela precisava tomar, precisava ter certeza do que queria pensando em Vincent e na sua família. Melissa duelou com o amor e a desconfiança. Como viver no mundo de Vincent e ao mesmo tempo proteger sua família? "Sentia-me adormecida, como uma árvore no outono, quando o destino mostrou novas cores, novas possibilidades. Ele colocou em meu caminho um cavalheiro sombrio, um amor improvável. E entrei em seu mundo inimaginável, desafiador, imprevisível... mágico! Com todas as definições reais e irreais da palavra. E agora tenho novos medos, muito mais perigosos. Preciso proteger as pessoas que amo, enfrentar sombras, magos, elfos... mas também aprender a confiar e não desistir. Pareço louca ao admitir que tudo isso seja real, mas o calor que aquece meu peito só cresce, mostrando que sou mais louca ou mais apaixonada do que jamais imaginei um dia".

Amei a narrativa em primeira pessoa! Keila Gon relata os pensamentos e conflitos internos de Melissa de uma forma completamente real, e é capaz de envolver qualquer um na história e no personagem. Me envolvi muito, a ponto de sentir tudo o que Melissa estava sentindo, todas as dúvidas que ela tinha...
Parabéns, Kê, por conseguir retratar os personagens, os acontecimentos, os olhos turquesa de Vincent e os sentimentos de Melissa de uma forma tão realista. Parabéns também por criar esse mundo mágico
, mais um entre todos esses livros que já existem, mas esse já se tornou especial pra mim. Mal posso esperar pelo próximo livro, "Sombras da primavera". Há previsão de lançamento?? Hahaha
Tenho tanto a falar sobre esse livro, dizer o quanto ele me envolveu, o quanto eu o A-M-E-I, e postar mais alguns trechos... Mas/porém/contudo/entretanto, ia acabar por ser uma resenha com spoiler. :(
Eu recomendo totalmente. E como diz Keila Gon: "Muitos olhares turquesa pra vocês". ;)


Link do blog da Keila: http://coresdeoutonokeilagon.blogspot.com.br/

terça-feira, 25 de junho de 2013

"Presságio"- Fernando Pessoa

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar pra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente…
Cala: parece esquecer…

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pra saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar…

domingo, 23 de junho de 2013

"Intoxicados pelo eu"- Martha Medeiros

  • Outro dia acordei com uma espécie de ressaca existencial, sentindo necessidade de me desintoxicar, e era óbvio que o alívio não viria com um simples gole de Coca-Cola. Precisava, antes de tudo, descobrir o que é que estava me pesando, e logo percebi que não era excesso de álcool, nem de cigarros, nem de noitadas, os bodes expiatórios clássicos do mal-estar, e sim excesso de mim.

    Desconfio que já tenha acontecido com você também: de vez em quando, sentir os efeitos da overdose da própria presença. Desde que nascemos, somos condenados a um convívio inescapável com a gente mesmo. Quando penso na quantidade de tempo que estou presa a essa relação, fico pasma de como consegui suportar tamanho grude. Eu e eu, dia e noite, no único relacionamento que é verdadeiramente pra sempre.

    Ando escutando uma banda uruguaia chamada Cuarteto de Nos, cujas canções possuem letras divertidas e sarcásticas, entre elas, "Me Amo", uma crítica bem-humorada a esse era narcisista que estamos vivendo. O personagem da música não ouve ninguém e não consegue imaginar como seria o mundo sem a sua presença. Tem muitas garotas, porém nenhuma é digna dele. Está muito bem acompanhado a sós. “Soy mi pareja perfecta”.

    Intoxicação talvez seja isso: considerarmos que somos um par. Só que no meu caso, sou um par em conflito. Um eu que deseja fugir e outro eu que deseja ficar. Um eu que sofre e outro eu que disfarça. Um eu que pensa de uma forma e outro eu que discorda. Um eu que gosta de estar sozinho e outro eu que precisa amar. Nada de pareja perfecta, e sim caótica.

    Uma relação tranquila consigo mesmo talvez passe pela conscientização de que não devemos dar tanto ouvido às nossas vozes internas e que mais vale nos reconhecermos ímpares e imperfeitos por natureza. A vida só se tornará mais leve e divertida se pararmos de nos autoconsumir com tanta ganância e darmos uma olhadinha para fora. A gente perde muito tempo pensando na nossa imagem, no nosso futuro, nos nossos problemas, nas nossas vitórias, no nosso umbigo. Até que um dia acordamos asfixiados, enjoados, sem ânimo e sem paciência para continuar sustentando a pose, correspondendo às expectativas, buscando metas irreais, vivendo de frente pro espelho e de costas pro mundo.

    É a era do egocentrismo, somos vítimas de um encantamento por nós mesmos, mas, como toda relação, essa também desgasta. Fazer o quê? Esquecer um pouco de quem se é, esquecer da primeira pessoa do singular, das nossas existências isoladas, e pensar mais no que representamos todos juntos. Ando cansada de tantos eus, inclusive do meu.

    20 de fevereiro de 2011