segunda-feira, 10 de junho de 2013

Cinco minutos, 1856

Nem suspeitavas então que, entre todos aqueles vultos indiferentes, havia um olhar que te seguia sempre e um coração que adivinhava os teus pensamentos, que se expandia quando te via sorrir, e contraía-se quando uma sombra de melancolia anuviava o teu semblante.
Se pronunciavam o teu nome diante de mim, corava e na minha perturbação julgava que tinham lido esse nome nos meus olhos ou dentro de minh'alma, onde eu bem sabia que ele estava escrito.
E entretanto, nem sequer ainda me tinhas visto; se teus olhos haviam passado alguma vez por mim, tinha sido em um desses momentos em que a luz se volta para o íntimo, e se olha, mas não se vê.
Consolava-me, porém, que algum dia o acaso nos reuniria, e então não sei o que me dizia que era impossível não me amares.

José de Alencar, "Cinco minutos", 1856

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Ser gentil

Há um conceito errado para a palavra "gentil". Um dia desses achei um livro de auto-ajuda numa livraria qualquer. A contracapa  dizia  que o autor ia ensinar como obter sucesso, felicidade e riqueza por meio da gentileza, fazendo do leitor uma pessoa melhor e bem-sucedida. Ok.
Nem precisei terminar de ler a contracapa para deixar o livro lá onde ele estava. Primeiro, porque tenho outros livros pra ler. Segundo, porque já sou gentil. Não vejo lá toda essa diversão em magoar as pessoas e ser rude.
Ser gentil deveria ser uma atitude para facilitar as relações humanas, e não uma meta pra o sucesso financeiro, etc. Que sucesso, o quê! Agora tudo o que a gente faz, até uma mísera gentileza, tem que visar o sucesso?
Mas, gentileza demais já é abusar da sorte! Claro que você não vai deixar de responder a um "bom dia", dar uma informação a alguém, ajudar a famosa idosa a atravessar a rua, tratar bem comerciantes e funcionários e etc. Mas também não vai pagar um lanche pra todos os moradores de rua que pedirem comida (a não ser que você tenha dinheiro suficiente pra isso), nem aceitar todos os panfletos que te oferecerem (afinal, você vai jogá-los fora), nem entrar no mesmo elevador que um primo do coringa com aquela aparência estranha e assustadora e com aquele sobretudo enorme com um aspecto de "oi, sou um sobretudo e tenho muitos bolsos para colocar os mais diversos tipos de armas". Ele pode ser um matador/ladrão, ou não. Mas, se quiser ser gentil o bastante e entrar no elevador pra ele não pensar que você é preconceituoso e que a aparência dele fez você pensar que ele era um matador/ladrão, vá em frente. Mas se tiver que se abster de algumas gentilezas, pegue um táxi, vá pra casa, "sucesso é chegar em casa com vida".




terça-feira, 21 de maio de 2013

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Importante para o mundo

Li um livro um dia desses que me fez pensar um pouco mais sobre a minha importância, ou utilidade nesse mundo.

Há pessoas, aquelas "faz-tudo" que, como o termo atribuído a elas já descreve, fazem tudo. São aquele tipo que lutam contra a poluição à camada de ozônio; fazem sua parte na despoluição das ruas; conscientizam a população sobre algum assunto que ajudará para a formação de um mundo melhor; não fumam em público, evitando danos à respiração do próximo; não ouvem funk sem fone de ouvido, visando o bem-estar da audição da população que condena esse gênero musical.

Há também os "faz-nada" que não fazem nada além de praticarem tudo o que os "faz-tudo" fazem, só que ao contrário. Como poluir as ruas; contribuir para a grande porcentagem de pessoas que "escrevem" errado nas redes sociais; comer carne, contribuindo para a morte de animais; tirar onda da cara de alguém quando acontece uma desgraça, em vez de ajudá-lo; reclamar da vida; não fazer nada que beneficie a alguém, somente a si mesmo. E, bem, isso não é ser importante pro mundo.

O que seria "ser importante para o mundo"? Ok, isso todos sabem. Aprendemos nas aulas de geografia fazendo críticas sobre vários problemas sociais, econômicos, ambientais e blá, blá, blá. O negócio é que todos fazem parte de um desses grupos, ou dos dois, ou de nenhum dos dois, ou de um grupo qualquer que você inventou pra camuflar a sua culpa por não fazer nada de importante para o mundo. Porque vive reclamando por não ter o que queria, ou por ter tudo o que queria, e não ter mais o que buscar na vida.

Todos podem fazer alguma coisa para o mundo, e quem não quiser, fique aí em casa fingindo que estuda enquanto está assistindo séries de televisão. Mas EU irei contribuir para um mundo melhor, assistindo séries de tv com você. Vamos juntos.


Ps: Brincadeira! Haha. Eu me considero uma pessoa muito ajudadora, aliás, eu não desperdiço comida, não jogo lixo na rua, faço críticas sobre várias coisas que não fazem bem à população, escrevo resenhas sobre livros REALMENTE bons, e repreendo funkeiros. Não sou uma "faz-tudo" mas também não sou uma "faz-nada". Acho que faço até mais que a minha parte nesse mundo.



segunda-feira, 29 de abril de 2013

Há Momentos

Há momentos na vida em que sentimos tanto
a falta de alguém que o que mais queremos
é tirar esta pessoa de nossos sonhos
e abraçá-la.

Sonhe com aquilo que você quiser.
Seja o que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que se quer.

Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.

As pessoas mais felizes
não têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor
das oportunidades que aparecem
em seus caminhos.

A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passam por suas vidas.

O futuro mais brilhante
é baseado num passado intensamente vivido.
Você só terá sucesso na vida
quando perdoar os erros
e as decepções do passado.

A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar
duram uma eternidade.
A vida não é de se brincar
porque um belo dia se morre

Clarisse Lispector