sábado, 6 de julho de 2013

"Quadrilha"

Por que você gosta de quem não gosta de você? Já escreveu o poeta Carlos Drummond de Andrade:

"João amava Teresa que amava Raimundo 
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para o Estados Unidos, Teresa para o
convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto
Fernandes
que não tinha entrado na história."

Pra que insistir?



quinta-feira, 4 de julho de 2013

Resenha: "Cores de Outono

Melissa e Alice perdem seus pais em um acidente de carro e vão morar com seu avô, George, na cidade pequena da sua infância. Melissa, a mais velha com 21 anos, é desastrada a ponto de acreditar que as "forças sombrias" do universo se divertem com as humilhações dela, por isso elas se repetem. Tentando superar a perda da mãe e do padrasto, Melissa tenta construir uma nova vida. Uma vida baseada em cuidar de quem ela ama, ou seja, proteger e educar sua irmã caçula, Alice. Não estava preparada para um novo amor quando conheceu Vincent: "o homem alto de ombros largos usava um combinado preto, simples e perfeito. Seu físico atraente se movia na roupa justa enquanto ele caminhava ao meu encontro como um felino, elegante e sedutor. Seu rosto possuía traços fortes, bonitos, mas sérios [...]. As sobrancelhas grossas emolduravam olhos penetrantes e o nariz reto, bem definido, completava lábios assimétricos. Seu cabelo liso, um pouco comprido, caía em mechas na testa fazendo o contraste de preto e branco. E essa aparência irreverente conferia-lhe um charme enigmático... irresistível.". 

Ele mudava de humor constantemente, mas isso não impediu que Melissa se apaixonasse por ele. "Nunca sabia qual seria sua reação, sua personalidade arrogante estava esfarelando meu autocontrole, embora sua elegância e beleza genuína amolecessem meus ossos. Esse homem tinha sérios problemas de socialização, de humor, e ainda havia espaço para um emaranhado de esquisitices emocionais impossíveis de descrever. E para piorar essa loucura, não podia mais negar o fato de que estava, incompreensivelmente, apaixonada por ele. Vincent me fascinava ao ponto de me deixar sem palavras. E o que mais assustava... esse homem intimidador me atraía ao ponto de fazer uma revoada de borboletas rodopiarem em meu estômago até me deixar sem ar. Isso não era medo, muito menos era normal".


Por se apresentar sempre mau humorado e carrancudo, Vincent era motivo de desprezo e fofocas na cidade. Ele morava com a família Von Berg, e a população da cidade inventava várias histórias sobre aquele lado da montanha. Todos achavam essa família estranha, por viver tão isolada. E vamos dizer que a expressão mau humorada de Vincent não atraía amizades e boas histórias para a família Von Berg. É certo que ele não era normal... e só quem leu o livro sabe o que ele é realmente. O cavalheiro carrancudo não costumava atrair amizades, mas atraiu Melissa, e seus caminhos sempre se cruzavam. George não aprovava a amizade deles, e Arthur também não. Arthur era um amigo de infância de Melissa, e estava apaixonado por ela. Pena que não era recíproco, Melissa amava a outro: "O tempo passava vagarosamente agora e aceitei a verdade. Por mais que Arthur pudesse ser a pessoa certa, o amor possível, real e esperado, ele não se comparava com o amor que eu sonhava... Com o homem que eu desejava. E não poderia me enganar, não poderia trair meu coração. Sempre imaginei que teria de viver o amor para experimentar suas dores, mas apenas o sonho desse amor impossível estava me dilacerando".

Mas havia decisões que ela precisava tomar, precisava ter certeza do que queria pensando em Vincent e na sua família. Melissa duelou com o amor e a desconfiança. Como viver no mundo de Vincent e ao mesmo tempo proteger sua família? "Sentia-me adormecida, como uma árvore no outono, quando o destino mostrou novas cores, novas possibilidades. Ele colocou em meu caminho um cavalheiro sombrio, um amor improvável. E entrei em seu mundo inimaginável, desafiador, imprevisível... mágico! Com todas as definições reais e irreais da palavra. E agora tenho novos medos, muito mais perigosos. Preciso proteger as pessoas que amo, enfrentar sombras, magos, elfos... mas também aprender a confiar e não desistir. Pareço louca ao admitir que tudo isso seja real, mas o calor que aquece meu peito só cresce, mostrando que sou mais louca ou mais apaixonada do que jamais imaginei um dia".

Amei a narrativa em primeira pessoa! Keila Gon relata os pensamentos e conflitos internos de Melissa de uma forma completamente real, e é capaz de envolver qualquer um na história e no personagem. Me envolvi muito, a ponto de sentir tudo o que Melissa estava sentindo, todas as dúvidas que ela tinha...
Parabéns, Kê, por conseguir retratar os personagens, os acontecimentos, os olhos turquesa de Vincent e os sentimentos de Melissa de uma forma tão realista. Parabéns também por criar esse mundo mágico
, mais um entre todos esses livros que já existem, mas esse já se tornou especial pra mim. Mal posso esperar pelo próximo livro, "Sombras da primavera". Há previsão de lançamento?? Hahaha
Tenho tanto a falar sobre esse livro, dizer o quanto ele me envolveu, o quanto eu o A-M-E-I, e postar mais alguns trechos... Mas/porém/contudo/entretanto, ia acabar por ser uma resenha com spoiler. :(
Eu recomendo totalmente. E como diz Keila Gon: "Muitos olhares turquesa pra vocês". ;)


Link do blog da Keila: http://coresdeoutonokeilagon.blogspot.com.br/

terça-feira, 25 de junho de 2013

"Presságio"- Fernando Pessoa

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar pra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente…
Cala: parece esquecer…

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pra saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar…

domingo, 23 de junho de 2013

"Intoxicados pelo eu"- Martha Medeiros

  • Outro dia acordei com uma espécie de ressaca existencial, sentindo necessidade de me desintoxicar, e era óbvio que o alívio não viria com um simples gole de Coca-Cola. Precisava, antes de tudo, descobrir o que é que estava me pesando, e logo percebi que não era excesso de álcool, nem de cigarros, nem de noitadas, os bodes expiatórios clássicos do mal-estar, e sim excesso de mim.

    Desconfio que já tenha acontecido com você também: de vez em quando, sentir os efeitos da overdose da própria presença. Desde que nascemos, somos condenados a um convívio inescapável com a gente mesmo. Quando penso na quantidade de tempo que estou presa a essa relação, fico pasma de como consegui suportar tamanho grude. Eu e eu, dia e noite, no único relacionamento que é verdadeiramente pra sempre.

    Ando escutando uma banda uruguaia chamada Cuarteto de Nos, cujas canções possuem letras divertidas e sarcásticas, entre elas, "Me Amo", uma crítica bem-humorada a esse era narcisista que estamos vivendo. O personagem da música não ouve ninguém e não consegue imaginar como seria o mundo sem a sua presença. Tem muitas garotas, porém nenhuma é digna dele. Está muito bem acompanhado a sós. “Soy mi pareja perfecta”.

    Intoxicação talvez seja isso: considerarmos que somos um par. Só que no meu caso, sou um par em conflito. Um eu que deseja fugir e outro eu que deseja ficar. Um eu que sofre e outro eu que disfarça. Um eu que pensa de uma forma e outro eu que discorda. Um eu que gosta de estar sozinho e outro eu que precisa amar. Nada de pareja perfecta, e sim caótica.

    Uma relação tranquila consigo mesmo talvez passe pela conscientização de que não devemos dar tanto ouvido às nossas vozes internas e que mais vale nos reconhecermos ímpares e imperfeitos por natureza. A vida só se tornará mais leve e divertida se pararmos de nos autoconsumir com tanta ganância e darmos uma olhadinha para fora. A gente perde muito tempo pensando na nossa imagem, no nosso futuro, nos nossos problemas, nas nossas vitórias, no nosso umbigo. Até que um dia acordamos asfixiados, enjoados, sem ânimo e sem paciência para continuar sustentando a pose, correspondendo às expectativas, buscando metas irreais, vivendo de frente pro espelho e de costas pro mundo.

    É a era do egocentrismo, somos vítimas de um encantamento por nós mesmos, mas, como toda relação, essa também desgasta. Fazer o quê? Esquecer um pouco de quem se é, esquecer da primeira pessoa do singular, das nossas existências isoladas, e pensar mais no que representamos todos juntos. Ando cansada de tantos eus, inclusive do meu.

    20 de fevereiro de 2011

I won't give up- Jason Mraz and Sungha Jung



sábado, 22 de junho de 2013

Ficção e seus contras

Eu sempre fui uma pessoa que gosta de ler romance, aventura, e ficção em geral. Acho que 31 em cada 30 livros que eu tenho são ficcionais. Ano passado, minha antiga professora de redação me aconselhou ler menas ficção, pois quando aquela história super emocionante e perfeita acaba, e a gente olha ao nosso redor, levamos aquele "choque" da realidade. Porque um galã de cinema não se apaixonará por você da noite pro dia; sátiros, deuses e o Acampamento Meio-Sangue não existem; há apenas 0,0000000000000001% de chance de aquela cena de "esbarrei-com-um-garoto,-meus-livros-caíram,-ele-me-ajudou-a-recolher-as-coisas-e-nos-apaixonamos" acontecer; humanos que viram lobos e vampiros não existem; enfim, quase nada do que acontece nos livros de ficção aconteceria na realidade. Agora darei um tempo para você absorver essa triste informação.

Não basta ter a completa noção de que essas coisas não existem, pois, uma hora ou outra você pára e pensa no quanto a sua vida tá uma merda (desculpem o meu vocabulário) e aí seus pensamentos te levam a um universo mais legal que é, nada mais, nada menos, que AQUELE livro. Nossa, como tudo naquele livro é perfeito! Se eu estiver triste, aparece um dragão e me leva pra Disney; se eu sofrer de amor platônico, a autora o leva a se apaixonar por mim, e assim vai... Aí você olha pra sua vida, comparada àqueles livros, e vê que é quase tudo ao contrário, que a vida nos livros é melhor, é legal, é "show". 

Nunca tinha pensado nisso e, depois que a minha professora me disse aquilo, eu nunca mais esqueci. Primeiro pensei: "caramba, nada ver essas 'paradas' aí, todo mundo sabe que ficção é ficção, então não prejudica em nada". Mas cheguei à conclusão que sim, isso prejudica de alguma forma. Algumas pessoas até enlouquecem procurando o mundo que há dentro dos livros, e outros se contentam em praticamente sair desse mundo e viver com o nariz enfiado nos perfeitos mundos ficcionais. Claro que uma "ficçãozinha" de vez em quando não faz mal. Como sempre, o que prejudica é o exagero. 

Existem bons livros de ficção, com uma moral maravilhosa e etc. Mas não apenas os livros de ficção têm universos bonitos; o mundo está repleto de histórias e depoimentos maravilhosos!, basta saber escolher. Afinal, ninguém quer acabar por procurar o mundo perfeito em um hospício qualquer.


quarta-feira, 19 de junho de 2013

"Amor unilateral"

Vendo o título, muitas pessoas pensarão que eu vou discorrer sobre aquele triste amor platônico, quando você ama um garoto e ele não te ama. Porém, eu não sou psicóloga nem nada pra falar sobre isso. O amor a que me refiro é aquele amor que Jesus diz para termos com o nosso próximo, e até mesmo com nossos inimigos e as pessoas não retribuem à nossa bondade e amor (daí vem o termo "unilateral"), e preferem ficar de cara feia pra você ao invés de retribuir ao seu sorriso.

Como se não bastasse suas tentativas para gostar das pessoas que você não aprecia muito (Naldo, Luan Santana, Mc Catra, alguma patricinha da sua escola, a professora de espanhol, etc) ainda precisa ouvir se referirem a você com palavras pouco elogiosas, como: falsa, "força barra", etc.

Pelo menos eu faço a minha parte e dane-se quem acha que nós, pacificadores do mau olhado e a favor da extinção de inimigos, somos falsos. Existe diferença entre ser falso e tentar gostar de alguém:

  • Falsos nem tentam gostar das pessoas, são falsos mesmo, vivem com aquele "sorrisinho" na cara e não movem um mísero músculo para tentarem não ser falsos.
  • Pessoas que tentam gostar de alguém possuem características contrárias às dos falsos.
É simples e compreensível.
Vamos fazer daqui um mundo melhor, começando pela aniquilação da falsidade e pela extinção de inimigos.


Ps: Não sou muito de fazer apelos, mas abri uma exceção porque sou uma boa pessoa.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Os chatos

Pessoas chatas são o que não faltam! Não importa por onde você ande, por quais planetas e países você passe, sempre encontrará um chato. Eles são previsíveis e tipicamente chatos. Chatos são aqueles que pedem pra gente curtir tal coisa no facebook (ou em qualquer outra rede social), aqueles que riem de tudo, aqueles que falam demais, aqueles que não abaixam a cabeça quando você não consegue enxergar o que está escrito no quadro, aqueles que te provocam, aqueles que pegam suas canetas sem pedir... Enfim, há muito a mencionar.

Não devemos ficar com raiva deles, e sim, tentar suportá-los. Afinal, praticamos chatices diariamente e as pessoas fazem de tudo pra nos aguentar. E nem me venha dizer que você não pratica chatices uma vez ou outra! Você pode até não fazer nada do que foi mencionado acima, mas com certeza faz outras coisas. Por exemplo: desafinar o violão de alguém ou segurar as cordas pra que não saia som algum, tocar a campainha de alguma casa e sair correndo, perguntar pra um sorveteiro se tem sorvete de baunilha e, mesmo se tiver, comprar um de chocolate, etc. E se, mesmo assim, você não fizer nada disso, existem outras coisas. Não adianta fugir. 

Nossos amigos, pais, primos, e parentes em geral aguentam nossas chatices todos os dias. Por que não tentar aguentar os chatos que vivem ao nosso redor então? Não direi que "não custa nada" porque custa sim, custa nossa paciência e gentileza. Mas quase todos os exemplos de chatice que eu mencionei são coisas que eu faço. Então, conclui-se que eu sou uma chata. E vocês também. "Alguns menos, outros mais, chatos somos todos".